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Abraços fraternos.

domingo, 20 de novembro de 2011

Advento



“Cuidado! Ficai atentos, porque não sabeis quando chegará o momento” (Mc 13,33)
           
            Iniciamos, hoje, um novo ano litúrgico. Contemporaneamente, começamos nosso caminho de preparação para o Santo Natal, com o Tempo do Advento. O roxo, cor litúrgica destas quatro semanas, fala-nos de vigilância e de espera, espera que é esperança, pois Aquele que prometeu vir é fiel: não falhará. Na espera e na alegre vigilância, também não cantaremos o “Glória” na Missa e enfeitaremos nossas igrejas com muita simplicidade: estamos de sobreaviso, estamos esperando: o Senhor se aproxima!
                As leituras deste Primeiro Domingo são de uma intensidade enorme e nos jogam de cheio no clima próprio deste tempo: enquanto nos preparamos para o Natal, celebração da primeira vinda do Senhor, feito pobre na nossa humanidade, preparamo-nos também para a sua Vinda gloriosa no final dos tempos. Três idéias nos chamam atenção na Palavra que ouvimos; três idéias que sintetizam maravilhosamente os sentimentos que devemos alimentar neste santo Advento.
                Primeiro: somos pobres. A humanidade toda, por mais soberba e auto-suficiente que seja, é pobre, é pó! Violência, solidão, tantas feridas no coração, tanta falta de sentido para a existência, tanta descrença e superficialidade, tantas famílias destruídas, tantos corações vazios, tanta falta de paz, tantos vícios enraizados no coração, tanta vontade quebrada e fraca, tantas palavras bonitas e vazias, tantas promessas sem cumprimento algum... E o homem não se dá conta que é pó, que é insuficiente, que sozinho não consegue se realizar, porque foi criado para uma Plenitude que somente um Outro - o Deus Santo, Bom, Imenso e Eterno - nos pode conceder. Mas, nós cremos, caríssimos; nós, os cristãos, devemos ser conscientes da nossa pobreza e da pobreza da humanidade. Calam bem para nós o intenso lamento do Profeta Isaías: “Senhor, tu és o nosso Pai, nosso redentor! Como nos deixaste andar longe de teus caminhos? Todos nós nos tornamos imundície, e todas as nossas boas obras são como um pano sujo; murchamos como folhas e nossas maldades empurram-nos como o vento. Não há quem invoque o teu nome, quem se levante para encontrar-se contigo. Assim mesmo, Senhor, tu és nosso pai, nós somos barro; tu, nosso oleiro, e nós todos, obra de tuas mãos”. Tão atual, caríssimos, esta palavra da Escritura! Exprime bem a humanidade perdida, sem graça, que busca plenitude onde não há plenitude: na tecnologia, na ciência, no consumo, na droga, na satisfação dos próprios instintos e vontades...
                Nós, cristãos, sabemos que nada neste mundo nos pode saciar. Como o restante da humanidade, também sentimos sede, também sentimos tantas vezes a dor de viver; mas nós sabemos de onde vem a paz, onde se encontra a verdade da vida, de onde vem a esperança. Por isso pedimos, pensando Naquele que veio no Natal e virá no Fim dos tempos: “Ah! Se rasgásseis os céus e descesses! As montanhas se desmanchariam diante de ti! Nunca se ouviu dizer nem chegou aos ouvidos de ninguém, jamais olhos viram que um Deus, exceto tu, tenha feito tanto pelos que nele esperam!” Eis nosso brado de Advento: Somos pobres, somos insuficientes, não nos bastamos, não temos as condições de ser felizes com nossas próprias forças: Vem, Senhor Jesus! “A vós, Senhor, elevo a minha alma! Confio em vós, que eu não seja envergonhado! Não se riam de mim meus inimigos, pois não será desiludido quem em vós espera” (Sl 24,1-3).
          E aqui temos a segunda idéia desta Liturgia santa: diante de nossa pobreza, colocamos nossa esperança somente no Cristo Jesus; esperamos a sua Vinda. O cristão vive no mundo, mas sabe que caminha para a Pátria, para Casa, para Cristo! Na segunda leitura deste hoje, São Paulo nos recorda que não nos falta coisa alguma, não nos falta esperança, não nos falta o sentido da vida, não nos falta a consolação, não nos falta a direção a seguir, porque aguardamos “a revelação do Senhor nossos, Jesus Cristo. É ele também que vos dará a perseverança em vosso procedimento irrepreensível, até ao fim, até ao dia de nosso Senhor, Jesus Cristo”. Caríssimos, a grande tentação para os cristãos de hoje é esquecer que estamos a caminho, que nossa pátria é o Céu. Num mundo de abundância de bens materiais, de comodismo, de consumismo, de busca das próprias vontades e dos prazeres, o perigo imenso é esquecer o Senhor que vem e que sacia o nosso coração. Quantos de nós se distraem com o mundo, quantos que têm o nome de cristãos estão tão satisfeitos com os prazeres e curtições da vida! Cristãos infiéis num mundo infiel; cristãos cansados num mundo cansado, cristãos superficiais e vazios num mundo superficial e vazio! E deveríamos ser luz, deveríamos ser sal, deveríamos ser profetas! Deveríamos ser inquietos e insatisfeitos com tudo que seja menos que Deus, nossa verdadeira Plenitude!
                Finalmente, o terceiro ponto. Conscientes da nossa insuficiência para sermos felizes sozinhos; conscientes de que somente no Cristo está nossa plenitude; certos de que ele virá ao nosso encontro, devemos estar vigilantes, devemos viver vigilantes! Nesta casa chamada mundo, nós somos os porteiros, aqueles que esperam o Senhor chegar. Escutai, irmãos, a advertência do nosso Senhor e Deus: “Cuidado! Ficai tentos, porque não sabeis quando chegará o momento. É como um homem que partiu e mandou o porteiro ficar vigiando. Vigiai, portanto, para que não suceda que, vindo de repente, ele vos encontre dormindo. O que vos digo, digo a todos: Vigiai!”
                Amados em Cristo, o Senhor nos manda vigiar! Vigiemos pela oração, vigiemos pela prática dos sacramentos, vigiemos pelas boas obras, vigiemos pela vida fraterna, vigiemos pelo combate aos vícios, vigiemos pelo cuidado para com os pobres. Vigia à espera de Cristo quem rejeita as obras das trevas! “O que vos digo, digo a todos: Vigiai!” Mais uma vez, a misericórdia de Deus nos dá um tempo tão belo e santo quanto o Advento para pensarmos na vida, para levantar os olhos ao céu e suspirar pela plenitude para a qual o Senhor nos criou. Não vivamos desatentamente este santo tempo de graça! Irmãos, irmãs, o Senhor vem: preparemo-nos para ele! Amém.

LEITURAS DO I DOMINGO DO TEMPO COMUM: 1ª Leitura: Is 63,16b-17.19b; 64,2b-7; 2ª leitura: 1Cor 1,3-9; Evangelho: Mc 13,33-37.


Contribuição de José das Mercês

sexta-feira, 28 de outubro de 2011

HISTÓRIA DE SÃO JUDAS TADEU



Sua ligação com Jesus
São Judas Tadeu, nascido em Caná de Galiléia, na Palestina, era filho de Alfeu (ou Cleofas) e Maria Cleofas. O pai, Alfeu, era irmão de São José e a mãe, prima-irmã de Maria Santíssima. Portanto, Judas Tadeu era primo-irmão de Jesus, tanto pela parte do pai como da mãe.
Um de seus irmãos, Tiago, também foi chamado por Jesus para ser apóstolo. Era chamado de Tiago Menor para diferenciar do outro apóstolo Tiago que, por ser mais velho que o primeiro, era chamado de Maior.
Judas Tadeu tinha quatro irmãos: Tiago, José, Simão e Maria Salomé. O relacionamento da família de Judas Tadeu com o próprio Jesus Cristo, pelo que se consegue perceber na Bíblia é o seguinte: Alfeu (Cleofas) era um dos discípulos a quem Jesus apareceu no caminho de Emaús, no dia da ressurreição. Maria Cleofas, uma das piedosas mulheres que tinham seguido a Jesus desde a Galiléia e permaneceram ao pé da cruz, no Calvário, junto com Maria Santíssima .
Dos irmãos dele, Tiago foi um dos doze apóstolos, que se tomou o primeiro bispo de Jerusalém. José, apenas conhecido como o Justo. Simão foi o segundo bispo de Jerusalém, após Tiago. E Maria Salomé, a única irmã, foi mãe dos apóstolos Tiago Maior e João evangelista.
É de se supor que houve muita convivência de Judas Tadeu com o primo e os tios. Essa fraterna convivência, além do parentesco, pode ter levado são Marcos a citar Judas e os irmãos como irmãos de Jesus (Mc 6,3).


A Bíblia trata pouco de Judas Tadeu. Mas, aponta o importante: Judas Tadeu foi escolhido a dedo, por Jesus, para apóstolo. Quando os evangelhos nomeiam os doze escolhidos, consta sempre Judas ou Tadeu entre a relação. O livro dos Atos dos Apóstolos também se refere a ele (At 1,13). Além dessas vezes em que Judas Tadeu aparece entre os colegas do colégio apostólico, apenas uma vez é citado especialmente nas Escrituras. Foi no episódio da santa Ceia, na quinta-feira santa, narrado por seu sobrinho João evangelista (Jo 14,22). Nesta oportunidade, quando Jesus confidenciava aos apóstolos as maravilhas do amor do Pai e lhes garantia especial manifestação de si próprio, Judas Tadeu não se conteve e perguntou: "Mestre, por que razão hás de manifestar-te só a nós e não ao mundo?" Jesus lhe respondeu afirmando que teriam manifestação dele todos os que guardassem sua palavra e permaneces- sem fiéis a seu amor. Sem dúvida, nesse fato, Judas Tadeu demonstra sua generosa compaixão por todos os homens, para que se salvem todos. A fidelidade, coragem e perseverança dos Doze Grandes Homens do Evangelho, contribuíram para que o nome de Jesus viesse ser o mais admirado, citado e respeitado dos nomes.
A vida de São Judas Tadeu
Depois que os Apóstolos receberam o Espírito Santo, no Cenáculo em Jerusalém, iniciaram a construção da Igreja de DEUS, com a evangelização dos povos. São Judas iniciou sua pregação na Galiléia. Depois viajou para a Samaria e outras populações judaicas. Tomou parte no primeiro Concílio de Jerusalém, realizado no Ano 50. A seguir, foi evangelizar a Síria, Armênia e Mesopotâmia (atual Pérsia), onde ganhou a companhia de outro apóstolo, Simão, o "zelote", que evangelizava o Egito.
A pregação e o testemunho de São Judas Tadeu, foi realizado de modo enérgico e vigoroso, que atraiu e cativou os pagãos e povos de outras religiões que se converteram ao cristianismo. Ele mostrou que sua adesão a CRISTO era completa e incondicional, testemunhando sua fé com doação da própria vida.
São Jerônimo nos assegura que o Apóstolo pregou e evangelizou Edessa, bem como em toda Mesopotâmia (Pérsia).
No ano 70, foi martirizado de modo cruel, violento e desumano; morrendo a golpes de machado, desferidos por sacerdotes pagãos, por se recusar a prestar culto à deusa Diana.
Devido ao seu martírio, São Judas Tadeu é representado em suas imagens/estátuas segurando um livro, simbolizando a palavra que anunciou, e uma machadinha, o instrumento de seu martírio.
Suas relíquias atualmente são veneradas na Basílica de São Pedro, em Roma. Sua festa litúrgica celebra-se, todos os anos, na provável data de sua morte: 28 de outubro de 70.

Curiosidades acerca de São Judas Tadeu
  • Santa Gertrudes e São Bernardo de Claraval entre muitos outros Santos, também foram fervorosos cultivadores do culto a SÃO JUDAS TADEU. Santa Gertrudes escrevendo sua biografia, conta que JESUS lhe apareceu aconselhando invocar São Judas Tadeu, até nos "casos mais desesperados". A partir de então, cresceu a fé do povo na especial intercessão do Santo, principalmente nos "casos impossíveis".
  • Certa vez, Santa Brígida estava orando, quando teve uma visão de Jesus. Este lhe disse:

    Invocai com grande confiança ao meu apóstolo Judas Tadeu. prometo socorrer a todos quantos por seu intermedio a mim recorrerem.
  • Conforme conta o historiador Eusébio, Judas Tadeu teria sido o esposo nas núpcias de Caná (bodas de Caná), isso explicaria a presença de Maria e de Jesus.
  • Devido à notoriedade de Tiago na Igreja primitiva, Judas Tadeu era sempre lembrado como o irmão de Tiago
  • No texto grego São JUDAS é chamado LEBEU que significa: "LEB" - CORDATO, BONDOSO, OU CORAJOSO. TADEU porém, vem da palavra siríaca "THAD" que quer dizer: MISERICORDIOSO, BENIGNO.
  • nome de São JUDAS foi muitas vezes substituído pelo de TADEU, por causa do nome de Judas Iscariotes, o traidor. Os próprios Evangelistas como São João, ao se referirem a São JUDAS TADEU, Apóstolo, diziam: JUDAS, não o Iscariotes ou o traidor.
  • Apóstolo cujo nome lembra o "traidor" de JESUS, Judas Iscariotes, teve sua devoção esquecida durante muitos séculos. Mas a Providência Divina se manifestou no momento oportuno, para exaltar as suas qualidades e notável humildade, transformando-o no querido e poderoso Santo intercessor das "causas impossíveis", que consegue junto ao CRIADOR as graças necessárias, em benefício de todos aqueles que buscam e procuram o seu inestimável auxílio.

domingo, 16 de outubro de 2011

Fortificai as mãos desfalecidas. Fortalecei os joelhos vacilantes. Dizei àqueles que têm o coração pertubado: Tomai ânimo, não temais, eis o vosso Deus." Isaías 35, 3-4.

terça-feira, 11 de outubro de 2011

Porque Grupo de Oração Filhos da Misericórdia?

Olá caros amigos!

Segue abaixo o trecho de um texto elaborado pelo Cristóvão juntamente com o Rafael Romano e que serviu de base para o início do projeto "Momento da Misericórdia". São vinte minutos apresentando a Misericórdia de Deus no programa Shalom e você, que é veiculado todos os domingos na Rádio Itabira AM 770.

Um abraço Fraterno a todos!

"...O porquê do nome filhos da misericórdia; Cada grupo possui um carisma. Os carismas eram comuns no início da Igreja. Basta ler os Atos dos Apóstolos e as cartas de São Paulo. Depois, por alguns séculos eles se mantiveram restritos aos grandes santos. Assim, pensava-se que os carismas eram para alguns homens e mulheres reconhecidamente santos, místicos e penitentes.
Os carismas são dons, graças, presentes, dados pelo Espírito Santo, “mas um e o mesmo Espírito distribui todos esses dons, repartindo a cada um como lhe apraz” (ICor 12,11).
Os Carismas, portanto não são novidades trazidas pela Renovação Carismática Católica, a não ser no aspecto do seu exercício nos tempos atuais.
“A palavra ‘carisma (chárisma) é oriunda da língua grega e significa ‘dom gratuito’. Ela encontra seu significado fundamental na raiz que indica tudo aquilo que produz bem-estar; assim significa: ‘graça’, ‘dom, ‘favor, ‘bondade’; no sentido de fazer um dom gratuito, mostrar-se generoso. Assim, em nosso Grupo de Oração, partilhamos entre nós e com os irmãos este carisma a nós confiado – o da Misericórdia.
E o que é ser filho da misericórdia? A misericórdia apresentada por Jesus, várias vezes é base para compreendermos o que o Senhor espera de nós. Tomemos por exemplo por meio do evangelista São Mateus:
Ide, pois, aprender o que significa: ‘Misericórdia eu quero, não sacrifícios. De fato, não é a justos que vim chamar, mas a pecadores” (Mt 9, 13).
Esta palavra de Deus nos anima, pois nos faz concluir que o Senhor ama a todos indistintamente e não está a nos julgar, mas a nos esperar. Esta espera se traduz em conversão nossa a cada dia. (ou seja, num primeiro momento estamos todos caminhando buscando a conversão).

Já no contexto da palavra Misericórdia, que origina do latim, vem a expressão Miser cordis, ou coração de pobre (miserável). O Antigo Testamento, ao falar de Misericórdia não usa a palavra ‘coração’, mas útero (rahamim). O misericordioso é aquele que tem espaço interior para acolher a vida, as pessoas. Deus tem materna Misericórdia. Todos nós fomos gerados em seu divino ‘útero’. Ser misericordioso como Deus é ter espaço no coração para os irmãos.

É isso que queremos ao sermos chamados filhos da misericórdia, mostrar que somos pecadores, mas estamos em busca da conversão diária, e um dos passos a misericórdia é acolher também nossos irmãos com todas as suas misérias em nosso coração, fazendo com que eles experienciem conosco o movimento de volta a Deus chamado conversão e arrependimento."

quinta-feira, 6 de outubro de 2011

Depoimento


"FAZENDA DA ESPERANÇA É COISA DE DEUS
A fazenda mudou minha vida, não porque fui dependente químico, nem porque estava com depressão ou algo parecido, muito pelo contrário, sempre fui muito de bem com a vida e uma pessoa que ama desde sempre muito a Deus. Mas a fazenda trouxe ao meu mundo pessoas das quais não poderia me esquecer jamais, a começar pelo eterno amigo Benildo lá de Cunha/SP. E quando a fazenda veio para Itabira/MG ela trouxe no seu aconchego muito mais que ex-dependentes ou voluntários, trouxe a minha vida amigos e irmãos. Com eles aprendi e ainda aprendo a vencer todos os preconceitos e a ver no olhar um verdadeiro amor de Deus. Nossa, e quanta alegria trouxeram ao meu coração. Ivys é um outro irmão que trouxe a minha vida palavras de mansidão quando eu mais precisava, e sorrisos que se tornaram marcas de amor.. 
Como alguns da fazenda me chamam carinhosamente de Maria, assim aprendo a ser todos os dias. E tão feliz sou por poder compartilhar com os amigos da fazenda toda a alegria de ser uma jovem que ama acima de tudo a Cristo. 
Agradeço imensamente ao Romulo por me permitir estar ligada a esta casa abençoada em tudo, na festa de um ano em Itabira, na primeira Festa de são Francisco e em todos os dias. Sou grata a Deus por me permitir contribuir através da música, na caminhada desta família chamada Fazenda da Esperança. Posso orar todos os dias até o fim de meus dias, que não teria como agradecer o quanto vocês me fazem bem. O quanto sou feliz por poder completar aquilo que o mundo tirou. 

A verdade é unica: Caríssimos, eu amo vocês!
 

E você, venha conhecer, venha contribuir para que esta obra cresça cada dia mais."






Abraços fraternos e a proteção de São Miguel
Keity Carvalho

segunda-feira, 19 de setembro de 2011

Sofrimento, presente ou castigo de Deus?

A pessoa humana foi criada para a felicidade. Ninguém gosta de tristeza, de sofrimento e de dor. Mas, serve muito pensar sobre nossa atitude diante do sofrimento e da dor, tomar consciência de que o sofrimento está presente no mundo em múltiplas formas e manifestações, e que não podemos fugir dele de forma alguma. Resta-nos três caminhos: a revolta, a indiferença ou a aceitação. A revolta leva a pessoa ao desespero; a indiferença nos torna estáticos, deterministas, estóicos; a aceitação comunica-nos a paz e alegria profundas, e nos faz cristãos: seguidores e imitadores de Jesus Cristo.

O Sofrimento na Biblia
O homem bíblico, desde o Gênesis ao Apocalipse, pergunta-se por que o sofrimento e como libertar-se dele. Antes da vinda de Jesus o sofrimento aparece como uma estrada sem saída, fruto do pecado e como castigo de Deus pelo bem não realizado. O grito que perpassa toda a Sagrada Escritura é o pedido a Deus que nos liberte da dor e que nos dê a força necessária para suportá-la. Os salmos são o livro do homem sofredor que, na sua breve existência, depara-se com todo tipo de dor: física, moral, espiritual, a solidão, o abandono dos amigos, a lepra que devasta, a perseguição dos inimigos...O livro de Jó, que podemos considerar como o grande tratado antropológico da dor, faz-nos ainda mais críticos diante do sofrimento.
O sentido de impotência que nos advém quando nos deparamos com a dor deixa-nos ainda mais angustiados. O que fazer diante das pessoas que sofrem, e como reagir diante do nosso próprio sofrimento? Se Deus-amor não quer que o homem sofra, por que permite o sofrimento? São perguntas que, provavelmente, nunca terão uma resposta que nos deixe totalmente satisfeitos.
A repugnância à dor está inscrita no nosso coração e todos somos chamados a lutar contra ela. Superar a dor é caminho promissor para se chegar à felicidade plena.

Jesus nos ensina a Amar a Cruz
O encontro com Jesus de Nazaré, o amor que tenho para com Ele, a leitura do Evangelho e o desejo de imitar sua vida têm-me feito compreender melhor o caminho da dor. Aliás, fora de Jesus, não creio que encontremos resposta para coisa alguma. A vida tende para Jesus e por Ele somos atraídos e seduzidos. Contemplando-o nos vários momentos de sua existência terrena sabemos descobrir o caminho novo. A novidade trazida por Jesus é que Ele encerra o tempo das promessas e abre o tempo da realidade. Ele nos ensina como viver, amar, sofrer, morrer e ressuscitar.
A grandeza de Jesus é que Ele, encarnando-se, assumiu a nossa natureza humana plena, total, com todas as limitações, menos o pecado. De fato, o pecado não faz parte da natureza humana, ele entrou no mundo pela desobediência. Alguém como Jesus, que nunca desobedeceu ao projeto do Pai, não poderia ter o pecado na sua humanidade. Ele "se fez pecado" por nós e nos redimiu de todos os nossos pecados.
O projeto trazido por Jesus é libertar o homem do pecado, e para que isso possa acontecer Ele iniciou a sua história entre nós através do caminho da cruz e do sofrimento.
"Jesus tinha a condição divina, e não considerou o ser igual a Deus como algo a que se apegar ciosamente. Mas esvaziou-se a si mesmo, e assumiu a condição de servo, tomando a semelhança humana. E, achado em figura de homem, humilhou-se e foi obediente até a morte, e morte de cruz! Por isso Deus o sobreexaltou grandemente e o agraciou com o Nome que é sobre todo o nome, para que, ao nome de Jesus, se dobre todo o joelho dos seres celestes, dos terrestres e dos que vivem sob a terra, e, para glória de Deus, o Pai, toda língua confesse: Jesus é o Senhor." (Fil 2,6-12).
O nascimento, a fuga ao Egito, o trabalho em Nazaré, as incompreensões por parte do povo, dos seus seguidores e do poder constituído em Israel, formam a história de dor de Jesus, que tem o cume na morte de cruz. O caminho apresentado por Jesus aos seus seguidores é: renúncia de si mesmo, carregar a cruz e seguí-lo no seu nomadismo, onde não tem nem uma pedra para reclinar a cabeça... O amor à paixão de Jesus não é opcional na vida cristã, mas necessário para poder compreender o sentido da vida de Jesus.
Através da leitura do Evangelho, compreendemos que Jesus não queria sofrer e que em momento algum provocou o sofrimento, seu ou dos outros, e que fez o possível para aliviar a dor dos outros. Ele mesmo "gemeu e suplicou" ao Pai que o libertasse da cruz, do beber o cálice e da morte. Mas, consciente que era possível salvar a humanidade por este caminho, Ele assume a dor com a alegria interior de quem realiza na fidelidade a vontade do Pai.
Tenho encontrado muitas pessoas esmagadas pela dor e interiormente felizes. Uma das frases que ajudam-me a compreender o sentido da dor é de Santa Teresinha: "Cheguei a um ponto em que o sofrimento me dá alegria". A alegria de participar ativamente da paixão de Jesus. É o amor que leva a dar toda a vida pelo outro. É o amor do Pai que envia seu Filho Jesus. É o amor do Espírito Santo que consagra Jesus na sua missão e o amor de Jesus que dá toda a sua vida para nossa libertação e salvação. A força do amor é sempre maior do que qualquer sofrimento e, no amor, o sofrimento se faz alegria e vida.
O amor por Jesus gera os mártires da Igreja em todos os tempos e em todos os lugares do mundo. O sofrimento é possível entender na dimensão do amor: "Não há maior amor do que dar a vida por aquele que se ama". O servo sofredor de Javé, o Cordeiro manso levado ao matadouro apresentado por Isaías se faz realidade na pessoa do Verbo encarnado que, por amor, não volta atrás, mas oferece o seu rosto para que lhe arranquem a barba. Quando o peso das minhas "cruzinhas" se faz pesado aos meus frágeis ombros, o que mais gosto é de contemplar o crucifixo e saber que Ele, o Cristo, por amor morreu por mim. É nesse momento que a dor se faz leve e fonte de uma alegria imensa e incompreensível.
"O sofrimento não me é desconhecido. Nele encontro a minha alegria, porque na cruz se encontra Jesus e Ele é amor. E que importa sofrer quando se ama?" Santa Teresa de los Andes.
À luz de Jesus se entende a dor como fruto de amor e presente de Deus. Todos os santos, os grandes místicos nascidos do encontro com Jesus, pedem a dor como participação do sofrimento. A purificação é conseqüência do amor. Deus nos purifica porque nos ama, e existe em nós o desejo de nos purificar para "vermos desde já a Deus". O concílio Vaticano II, na constituição Gaudium et Spes, coloca em destaque como não é possível resolver os problemas existenciais, como o sofrimento, sem Jesus.
"Na verdade, os desequilíbrios que atormentam o mundo moderno se vinculam com aquele desequilíbrio mais fundamental radicado no coração do homem. Com efeito, no próprio homem muitos elementos lutam entre si. Enquanto, de uma parte, porque criatura, experimenta-se limitado de muitas maneiras, por outra parte, porém, sente-se ilimitado nos seus desejos e chamado a uma vida superior. Atraído por muitas solicitações, é ao mesmo tempo obrigado a escolher entre elas renunciando a algumas. Pior ainda: enfermo e pecador, não raro faz o que não quer, não fazendo o que desejaria. Em suma, sofre a divisão em si mesmo, da qual se originam tantas e tamanhas discórdias na sociedade. Certamente muitíssimos, cuja vida se impregnou de materialismo prático, afastam-se da percepção clara deste estado dramático, ou, oprimidos pela miséria, são impedidos de considerá-lo. Muitos pensam encontrar tranqüilidade nas diversas explicações do mundo que lhes são propostas. Outros porém esperam uma verdadeira e plena libertação da humanidade somente pelo esforço humano. Estão persuadidos de que o futuro reino do homem sobre a terra haverá de satisfazer todos os desejos de seu coração. Não faltam os que, desesperados do sentido da vida, louvam a audácia daqueles que, julgando a existência humana desprovida de qualquer significado peculiar, esforçam-se por lhe atribuir toda significação só do próprio engenho. Contudo, diante da evolução atual do mundo, cada dia são mais numerosos os que formulam perguntas primordialmente fundamentais ou as percebem com nova acuidade. O que é o homem? Qual é o significado da dor, do mal, da morte que, apesar de tanto progresso conseguido, continuam a subsistir? Para que aquelas vitórias adquiridas a tanto custo? O que pode o homem trazer para a sociedade e dela esperar? O que se seguirá depois desta vida terrestre?" (Gaudim et Spes, 10).

por Frei Patrício Sciadini, ocd                               
Comunidade Shalom
 
 

Dica de Filme

Queridos amigos, vocês não podem deixar de ver o filme "Aparecida - O Milagre".



O filme conta a história de Marcos, empresário rico que teve uma infância pobre com pais muito religiosos em Aparecida. Atualmente é um homem sem Fé, voltado somente para as  conquistas materiais. Seu filho Lucas, com o qual tem muitos conflitos sofre um grave acidente. Marcos em desespero passa por uma transformação e pede a Nossa Senhora Aparecida que lhe conceda um Milagre e salve Lucas. Um filme comovente que narra o reencontro de um homem com a família e consigo mesmo através de Nossa Senhora Aparecida, Padroeira do Brasil, com um final surpreendente.

É impossível não se emocionar.

Abraços. Bebel